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Domingo, Novembro 05, 2006 

Número Oito



Pel'A Porta do Cavalo deste domingo chuvoso e triste vai entrar um também miserável e lamacento blogue: o Anti-Sturu. Apesar de ter apenas duas semanas de existência, já existe material suficiente para o catalogar entre os blogues mais medíocres que alguma foram traduzidos em radiação electromagnética no espectro visível pelos monitores informáticos. Passo a contar a sua história, que é também um pouco da história d'Os Arquivos Sturu.

Há muitos, muitos anos atrás, existiu um indivíduo meio-demente, meio-génio, meio-parvo (exactamente, somadas as partes vemos que era um gajo e meio- notável-), o grandioso estudioso de obscuros assuntos que não interessam nem a um menino a que chamaram Jesus. Esse indivíduo e meio chamava-se, adivinharam, Sturu. E, como todos os génios, deixou uma extensa obra escrita com a sua doutrina, 14 tomos poeirentos e em cujas páginas amarelentas o bacilo da tuberculose se anafou, delirante, por mais de dois séculos. Ora, os livros desapareceram na altura da Inquisição, mas um grupinho de Cátaros bêbedos escondeu-os bem escondidos num poço no sul de França, numa antiga abadia funesta e decadente. Certa tarde um filho bastardo de um monarca, enquanto beijava uma moçoila que lia Byron às escondidas, sentado no poço, ficou com falta de ar devido ao beijo ardente e caiu lá para dentro. Partiu três costelas e um dedo médio ao cair directamente em cima do baú no poço vazio, que continha a obra preciosa. Intrigado com o sucedido, retirou o baú e durante a convalescença leu de fio os 14 pesados volumes. Após a leitura alucinante, os seus olhos turvaram-se de loucura, e começou a seduzir rapariguinhas puras de 14 anos que levava para a abadia e fazia sodomizar por um macaco que tinha comprado a uns negociantes da Índia, enquanto recitava as máximas Sturu. O escândalo foi tal que para salvar a pele teve que se alistar no exército de Napoleão e participou nas incursões do exército por território português. Em Portugal foi morto com uma navalha de cortar as unhas dos pés por um camponês alentejano, que se apropriou dos livros, mas como não sabia ler estes ficaram fechados numa casa de campo. Anos depois, o neto desse alentejano, no início do século, frequentando o círculo de Fernando Pessoa e companhia, mostrou-lhes o primeiro volume numa noite mística, que teve como consequência tudo aquilo que conhecemos hoje como movimento modernista. Morreu pouco tempo depois numa rixa por causa de uma gorda chamada Laurinda, e os seus pertences ficaram na posse do irmão, um taberneiro de patilhas e faces rosadas que gostava dum tinto de cortar à faca e do jogo. Numa tarde agoirenta, jogava às cartas na casa de um barão alentejano, e estando a perder uma maquia considerável, não tendo nada mais de valor para apostar, empenhou os tomos cujo incalculável valor desconhecia. O barão, figura letrada e influente, após folhear umas quantas páginas e apercebendo-se do perigo que tais volumes ancestrais representavam para a humanidade, decidiu encerrá-los num torreão abandonado. Muitos anos depois um grupo de ciganos pernoitou no torreão numa noite de tempestade e apropriou-se dos volumes, vendendo-os numa feira a um professor de germânicas, que ao ler os livros os decidiu emparedar na sua própria casa para proteger o mundo. Isto passou-se já no final dos anos noventa, e após uma apoplexia inesperada o professor morreu, a filha herdou a casa e, antes do casamento, mandou ampliar uma sala. É aqui que entra a figura tão bem conhecida de Zé Clarmonte, o descendente da linhagem Sturu, na altura mero trolha que ao partir os tijolos da sala de leitura se deparou com os livros escondidos.

Zé Clarmonte recebeu assim os ensinamentos do grande mestre Sturu e decidiu, contra todas as recomendações da sua consciência e tudo o que a sensatez representa, difundi-la num blogue com umas quantas figuras de reputação duvidosa. E foi assim que nasceram Os Arquivos Sturu. O blogue cresceu, tornou-se num blogue de referência e decidiu começar a punir a mediocridade à sua volta, em nome de uma utopia Sturu; criou a famigerada Porta do Cavalo, e ganhou admiradores fanáticos e inimigos viscerais.

E assim apareceu o Anti-Sturu. Um grupo de indigentes intelectuais que, revoltados contra a política de rigorosa demência e carácter saudavelmente arruaceiro dos seus elementos, talvez por se sentirem também eles medíocres, decidem criar um blogue Anti-Sturu para deitar abaixo o Sturu. A sua chegada foi aclamada por todos os elementos Sturu, esperando uma rivalidade destrutiva mas inteligente, malcriada mas inventiva, rude e com classe, ao mesmo tempo, bem ao modo Sturu. Mas a desilusão foi imediata. Desde textos desconexos a frases mal construídas, passando por erros ortográficos que nem o meu cão dá, e culminando num humor fácil e banalíssimo, decalcado do imaginário dum puto de infantário, tudo nestes Anti-Sturu não vale um chavelho. Não há imaginação, não há acção sequer (o blogue existe há duas semanas e estão há mais de uma sem publicar...). Os seus dirigentes não têm nomes próprios, apenas números, bem ao jeito de um exército de labregos que não sabe em que guerras se mete. E é com este calibre que querem derrubar a excelência d'Os Arquivos... Ridículo, no mínimo. Anti-Sturus: estão, por vós mesmos, condenados à penúria existencial e à morte. E Os Arquivos Sturu irão continuar. Implacáveis.

Figuras de Estilo

Zé Clarmonte

Génio literário. Rato de tasca. Labrego de bastas patilhas e troca-tintas de primeira apanha. Aprecia mulheres de farto buço e penugem nas pernas. Frase predilecta: "Para ter tão pouca sorte mais vale não ter nenhuma"

Quim Meano

Outro génio literário. Verdadeira ratazana de tasca, de bordel e de praças de toiros. Fanático acérrimo da festa brava, caracteriza-se pelo bafiento charuto, proeminente estômago e constante azedume. Expressão favorita: "Quatela aí, ó mancebo!"

Justino Alcaparra

Não é nenhum génio literário. Aliás, não se lhe conhece talento algum para além de ser capaz de empinar jarros de tinto pela goela abaixo sem pestanejar. Outrora conhecido como "Gaivota", devido a possuir apenas uma enorme e grotesca sobrancelha, define-se pela expressão "E a tua mãe também!"

Mestre, O Yoda

Despedido d'Os Arquivos por justa causa, agora trabalha a recibo verde e tem a complicada função de abrir esta página 12.567 vezes por dia para manter o contador de visitas em alta. Suspeita-se de falta de produtividade.

Não perca aos Domingos:

A Porta do Cavalo

Todos os Domingos entra alguém pel'A Porta do Cavalo, para isso basta ter um blog ou um artigo escrito no blog de alguém. Já falámos mal de nós, deste, daquele e, no próximo Domingo, iremos falar mal do outro. Porque no falar mal é que está o ganho!

Outras Frentes de Batalha

Detractores & Dissidentes

Adeptos do Absurdo

Malta que envia malta que faz cá falta

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