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Domingo, Outubro 22, 2006 

Número Seis


Esta semana o blogue que vai sair pel'A Porta do Cavalo não vai trazer qualquer novidade àqueles que frequentam esta rúbrica maquiavélica domingueira. Aliás, tenho até recebido inúmeros e-mails de bloguers que constituem a nata da má rés que, num ódio compulsivo, anda aqui pela blogosfera de teclado em punho pronto descarregar as suas raivas existenciais e as suas frustações, e que tem como referência deística esta famigerada Porta. Portanto, hoje não vão rufar os tambores, nem soar as trombetas, nem uns meros confettis vão ser lançados, não vai haver festa nenhuma. Acabou-se. As dobradiças d'A Porta do Cavalo vão rodar sobre si mesmas, e esta vai abrir uma frichazinha escuram por onde vai entrar de mansinho... o Azeite e Azia! Huu... grande surpresa, não é. Pois, pois. Agora passemos à parte previsível da coisa, por questões editoriais sou obrigado a escrever tudo aquilo que toda a gente sabe (menos um cego-surdo-mudo que vive desterrado num ninho de cabras).
E reza assim: chega a uma certa fase da vida de um indivíduo banal, entre um ataque de borbulhas e a primeira ganza (quem não sabe o que isto é que veja no dicionário de calão que eu não sou pai de ninguém), em que se vai para a Universidade, uma coisa rudimentar que algum senhor alguma vez inventou numa tarde em que tinha bebido uns copos a mais e tinha perdido às damas com esperto lá da tasca. Bom, e de acordo com a história a instituição singrou, o bêbedo foi condecorado e morreu pouco tempo depois num ataque de riso com uma piada de algibeira, começou a ganhar fama e a multiplicar-se, espalhou-se pelo mundo e tornou-se no acesso privilegiado a um futuro, monótono e servil, de uma gama de indivíduos que se situa entre os burgessos e os avarentos da terrinha, de um lado, e os génios incompreendidos e transviados, do outro. Até aqui nada de anormal. Mas parece que se tornou num hábito, comparticipado pela falta de ideias, o de chegar à Universidade, desenvolver um culto por tudo o que é citadino e cosmopolita e superficial, e criar um blogue onde se alardeia alarvemente um suposto requinte de uma existência observadora e elevada, crítica e cómica, subtil e deleitante. O Azeite e Azia é claramente o produto de um (ou mais, não sei) indivíduo que ajusta os seus contornos a esta caterva anónima e pululante. Somos modernos, ah! Andamos de metro! Vamos a um cybercafé navegar na Internet e beber um Cappuccino! E ainda ficamos com algum tempo para ler um ou outro desportivo para depois comentar no blogue o jogo de futebol! E de vez em quando metemos uma frase de um escritor à mistura para saberem que levamos uma existência refinada e literária!
Tá tudo dito. Quem quiser confirmar as minhas parcas palavras que aceda ao dito pelo link. Caro bloguer do Azeite e Azia: não leve isto a mal. Há algumas coisas que têm que ser ditas. O bucolismo ainda gera alguns espíritos rudes como eu. E não pode ser sempre o lendário Homem do Século a ficar mal visto. Hoje vou ser benevolente e não vou ilustar com exemplos o que acabei de descrever, não vou mostrar a inutilidade das piadas chochas e balseiras, não vou dar mais machadadas nessa erva que cresceu daninha e que provoca vardadeiras gastúrias num artista que já pegou de caras uma fera de 480 Kg. Não mereceria eu mais respeito por isso? Andei a bater com os costados na terra rude da arena para ver coisas destas? Será o Azeite e Azia um insulto para um espírito nobremente selvagem como o meu? Ao meu caro bloguer da Azia lhe deixo estas questões para reflexão durante a semana que vem. Quatela.

Figuras de Estilo

Zé Clarmonte

Génio literário. Rato de tasca. Labrego de bastas patilhas e troca-tintas de primeira apanha. Aprecia mulheres de farto buço e penugem nas pernas. Frase predilecta: "Para ter tão pouca sorte mais vale não ter nenhuma"

Quim Meano

Outro génio literário. Verdadeira ratazana de tasca, de bordel e de praças de toiros. Fanático acérrimo da festa brava, caracteriza-se pelo bafiento charuto, proeminente estômago e constante azedume. Expressão favorita: "Quatela aí, ó mancebo!"

Justino Alcaparra

Não é nenhum génio literário. Aliás, não se lhe conhece talento algum para além de ser capaz de empinar jarros de tinto pela goela abaixo sem pestanejar. Outrora conhecido como "Gaivota", devido a possuir apenas uma enorme e grotesca sobrancelha, define-se pela expressão "E a tua mãe também!"

Mestre, O Yoda

Despedido d'Os Arquivos por justa causa, agora trabalha a recibo verde e tem a complicada função de abrir esta página 12.567 vezes por dia para manter o contador de visitas em alta. Suspeita-se de falta de produtividade.

Não perca aos Domingos:

A Porta do Cavalo

Todos os Domingos entra alguém pel'A Porta do Cavalo, para isso basta ter um blog ou um artigo escrito no blog de alguém. Já falámos mal de nós, deste, daquele e, no próximo Domingo, iremos falar mal do outro. Porque no falar mal é que está o ganho!

Outras Frentes de Batalha

Detractores & Dissidentes

Adeptos do Absurdo

Malta que envia malta que faz cá falta

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